A polícia brasileira está investigando um escandaloso plano envolvendo um general da reserva, parceiro de chapa do ex-presidente Jair Bolsonaro, de extrema direita. Suspeita-se que este plano visava trazer forças especiais do Exército para a capital do país como parte de um ardiloso plano de golpe militar após a derrota nas eleições de 2022.

O general em questão é Walter Braga Netto, anteriormente ministro da Defesa e chefe da Casa Civil de Bolsonaro. Documentos revelam que Braga Netto discutiu a logística de viagens e acomodação para membros de uma unidade de guerrilha, aparentemente com a finalidade de fomentar um golpe em Brasília. Duas fontes, com acesso direto à investigação, confirmaram essas informações à Reuters.

As autoridades descobriram que Braga Netto teve um papel crucial em uma conspiração liderada por Bolsonaro para impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva, eleito presidente. A conspiração foi frustrada por ex-comandantes do Exército e da Marinha, que recusaram-se a aderir a tais planos.

Uma fonte próxima à investigação afirmou que Braga Netto agiu como incentivador e influenciador entre os demais comandantes do Exército, visando a manipular o resultado eleitoral. Suspeita-se que ele estivesse tentando financiar tanto membros das forças especiais quanto apoiadores de Bolsonaro, acampados em frente ao quartel-general do Exército em Brasília, com o intuito de anular o resultado das eleições.

Documentos revelam que Braga Netto organizou uma reunião em seu apartamento em Brasília para discutir como arrecadar fundos para trazer um contingente de soldados de elite à capital para uma tentativa de golpe. Este encontro ocorreu logo após a derrota de Bolsonaro no segundo turno para Lula.

O plano traçado durante essa reunião visava trazer secretamente tropas com treinamento especial em guerra contra-insurgência e técnicas de sabotagem para provocar violência, justificando assim a imposição da lei marcial e a anulação das eleições. Inclusive, cópias de um projeto de decreto para declarar o “estado de sítio” foram encontradas pelos investigadores da polícia.

Os conspiradores discutiram a necessidade de 100 mil reais para custos de transporte, hospedagem e equipamento para trazer membros das forças especiais para Brasília. Braga Netto, contudo, se recusou a responder perguntas da Polícia Federal sobre tal plano, conforme documentos do Supremo Tribunal Federal divulgados recentemente.

Bolsonaro, por sua vez, negou ter tentado um golpe após sua derrota eleitoral e fugiu para os Estados Unidos para evitar entregar a faixa presidencial a Lula. No entanto, seus apoiadores, acampados por semanas em frente ao quartel-general do Exército, protagonizaram uma tentativa violenta de golpe, invadindo edifícios governamentais dias depois.

FONTE: Reuters

Créditos: Reportagem de Lisandra Paraguassu e Ricardo Brito; Escrito por Anthony Boadle; Edição de Brad Haynes e Chizu Nomiyama

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