Novos dados do ensaio clínico de fase 3 da vacina contra a chikungunya, desenvolvida pelo Instituto Butantan em parceria com a empresa de biotecnologia franco-austríaca Valneva, confirmam a eficácia e segurança do imunizante seis meses após a aplicação. Conduzido em adolescentes brasileiros de 12 a 17 anos, o estudo revela que uma única dose da vacina mantém uma resposta imune robusta em 99,1% dos vacinados após 180 dias, independentemente de exposição prévia ao vírus.

Imunogenicidade e Segurança

Os dados, que refletem uma análise rigorosa feita pelo Comitê Independente de Monitoramento de Dados de Segurança, mostram que a maioria dos eventos adversos registrados foram leves ou moderados, com resolução em até três dias. Os efeitos colaterais mais comuns incluíram dor e sensibilidade no local da injeção, dor de cabeça, dor no corpo, febre e fadiga.

No primeiro mês de acompanhamento, a resposta imune foi robusta em 98,8% dos voluntários sem histórico de infecção, enquanto aqueles com exposição prévia ao vírus apresentaram 100% de positividade para anticorpos.

Aprovação e Estudos Futuramente

No final de 2023, o Instituto Butantan submeteu um pedido de registro definitivo para uso do imunizante no Brasil à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Nos Estados Unidos, a vacina recebeu aprovação em novembro pela Food and Drug Administration (FDA) para uso em adultos, tornando-se o primeiro imunizante autorizado globalmente contra chikungunya.

O ensaio clínico brasileiro incluiu 750 adolescentes de 12 a 17 anos em áreas endêmicas nas cidades de São Paulo, São José do Rio Preto, Salvador, Fortaleza, Belo Horizonte, Laranjeiras, Recife, Manaus, Campo Grande e Boa Vista. Dentre esses, 500 receberam uma dose única da vacina, enquanto 250 receberam placebo. Todos os participantes serão monitorados até completarem um ano de estudo, com a próxima avaliação imunológica prevista para 12 meses após a vacinação.

Desenvolvimento e Histórico

A vacina de vírus atenuado contra a chikungunya resultou de um acordo de transferência de tecnologia entre o Instituto Butantan e a Valneva, firmado em 2020. Caso a Anvisa aprove o uso do imunizante no Brasil, ele poderá ser disponibilizado futuramente à população pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Resultados anteriores do ensaio de fase 3 nos Estados Unidos, publicados na revista científica The Lancet, mostraram que entre os 4 mil adultos e idosos participantes, 98,9% produziram anticorpos que permaneceram robustos por pelo menos seis meses. O imunizante demonstrou um bom perfil de segurança, com os eventos adversos mais comuns sendo dor de cabeça, fadiga, dor muscular e dor no local da injeção.

Impacto da Chikungunya

Transmitida pelos mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopictus, a chikungunya pode causar sintomas que variam desde febre alta e dores articulares intensas até dores de cabeça, musculares e manchas vermelhas na pele. Sem tratamento específico, a infecção é combatida com analgésicos e antitérmicos, e a prevenção se dá pelo controle dos vetores. Um dos maiores desafios de saúde pública são as dores articulares crônicas que a doença pode causar, afetando os pacientes por anos.

Crescimento dos Casos

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o vírus chikungunya já foi identificado em 110 países na Ásia, África, Europa e Américas. No Brasil, os casos aumentaram mais de 100% entre 2021 e 2022, com 127 mil casos confirmados e 122 óbitos no último ano. Nas Américas, foram registrados cerca de 3,7 milhões de casos na última década.

Os avanços na vacinação representam uma esperança significativa na luta contra a chikungunya, proporcionando proteção duradoura para populações em risco e potencialmente reduzindo a incidência e o impacto da doença a longo prazo.

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By rede33

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