Três noites. Três gigantes. Três eliminações. Entre terça e quinta-feira, Vasco, Fluminense e Flamengo deixaram os torneios continentais, e o torcedor carioca já pergunta: existe uma maldição no Maracanã?
Fluminense: perdeu em casa, venceu fora e caiu nos pênaltis
O primeiro golpe veio em 14 de outubro. No jogo de ida da semifinal da Libertadores, o Fluminense perdeu em casa, no Maracanã, por 2 a 1 para o Palmeiras. O Tricolor dominou o primeiro tempo, mas Flaco López abriu o placar no fim da etapa inicial e Marlon Freitas ampliou. Wesley Natã descontou nos acréscimos. A torcida ainda gritou “Seremos campeões” ao fim do jogo.
Em 21 de outubro, no jogo de volta, no Nubank Parque, em São Paulo, o Fluminense venceu o Palmeiras fora de casa por 1 a 0, com gol de Hércules na reta final do segundo tempo. O resultado deixou o agregado empatado em 2 a 2 e levou a vaga para os pênaltis.
Foi ali que a história terminou: o Palmeiras venceu a disputa por 5 a 3 e eliminou o Fluminense. Thiago Silva, Hércules e Guilherme Arana converteram pelo Tricolor, mas Nonato parou no goleiro Carlos Miguel. Marlon Freitas fechou a classificação palmeirense.
Resumindo para não restar dúvida: o Fluminense perdeu no Maracanã, ganhou fora de casa e foi eliminado nos pênaltis.
Vasco: sonho de 26 anos desfeito (20 de outubro)
Na terça-feira (20), diante de mais de 66 mil torcedores no Maracanã, o Vasco precisava administrar a vantagem de ter vencido o Boca Juniors na Bombonera. Não deu. O Boca abriu o placar aos 3 minutos, com Di Lollo, e ampliou aos 33, com Merentiel. Puma Rodríguez diminuiu e levaria a decisão aos pênaltis, mas, aos 42 minutos, Leandro Paredes chutou de fora da área e contou com uma falha do goleiro Léo Jardim. Vasco 1 x 3 Boca (agregado de 3 a 2 para os argentinos), e o sonho de uma final continental depois de 26 anos foi embora.
Flamengo: a noite que fechou a série (22 de outubro)
Na quinta-feira (22), foi a vez do Flamengo. O Rubro-Negro empatou sem gols com o Estudiantes, repetindo o 0 a 0 do jogo de ida, mesmo com um jogador a mais desde os 5 minutos do segundo tempo, após a expulsão de Baltasar Rodríguez. Teve cerca de 70% da posse de bola, criou chances e não marcou. Nos pênaltis, Muslera defendeu as cobranças de Jorginho, Lucas Paquetá e Bruno Henrique, e o Estudiantes venceu por 3 a 2.
A final da Libertadores será entre Palmeiras e Estudiantes, em 28 de novembro, no Estádio Centenário, em Montevidéu. Nenhum carioca estará lá.
Maldição ou não, uma coisa é certa: depois dessas três noites, o Maracanã ficou em silêncio.
Nos bastidores: a briga judicial pelo estádio
Antes do jogo contra o Boca, o Vasco travou uma disputa na Justiça para usar o Maracanã. A concessionária Fla-Flu Serviços, formada por Flamengo e Fluminense, negou o pedido, alegando a preservação do gramado, trocado no início do mês, e o intervalo entre jogos já programados. Entre 6 e 13 de outubro, as decisões da Justiça do Rio foram e voltaram, até que o jogo foi liberado no Maracanã. A liberação vale apenas para essa partida, e o processo continua.
Maldição ou não, a torcida do Rio já sabe a resposta que quer ouvir: a de que o Maracanã, em 2027, volte a ser território de vitória.
