E por que decidiu ir embora, mesmo com o PL consagrando a maior bancada da Câmara e do Senado nas eleições de 2026?
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deixou o Brasil na noite de terça-feira, 27 de outubro de 2026, descumprindo uma ordem direta do Supremo Tribunal Federal (STF) que lhe proibia de viajar e determinava a apreensão de seus passaportes.
Apesar de o Partido Liberal (PL) ter consolidado uma vitória expressiva nas eleições de 2026, a força partidária não possui o poder de anular mandados ou ordens judiciais criminais individuais. Confira, abaixo, os detalhes apurados pela Polícia Federal e por veículos de imprensa nacionais e internacionais sobre a operação que tirou o senador do país.
A ROTA E OS AVIÕES UTILIZADOS
De acordo com dados da Direção Nacional de Migrações da Argentina e informações obtidas pela Polícia Federal, a saída do país não foi feita por meios comerciais regulares, mas sim por meio de uma operação com aeronaves privadas.
Primeiro trecho (Brasil-Argentina): A PF investiga o uso de um jato Cessna 560XL Citation Excel, pertencente ao advogado Willer Tomaz, amigo e também investigado em inquérito conjunto com o senador no STF. A aeronave teria decolado de Brasília e pousado na região de Buenos Aires na manhã do dia 27.
Segundo trecho (Internacional): Na noite do mesmo dia, Flávio Bolsonaro e sua família embarcaram em um jato Gulfstream G400, operado pela empresa argentina Baires Fly S.A., com destino a Guayaquil, no Equador. De lá, seguiram viagem para Miami, nos Estados Unidos.
Ponto de atenção: A empresa Baires Fly é alvo de investigações na Argentina por suspeita de lavagem de dinheiro ligada a contratos públicos de saúde no governo do presidente Javier Milei, o que pode atrair o escrutínio de autoridades internacionais sobre o financiamento deste voo específico.
A Polícia Federal atua para rastrear a origem do financiamento da aeronave e verificar se houve cooperação de terceiros para burlar a ordem judicial de retenção de passaportes.
POR QUE ELE NÃO FICOU, APESAR DA VITÓRIA DO PL?
Nas eleições de 2026, o PL demonstrou força institucional, elegendo 121 deputados federais, conquistando 19 das 54 vagas em disputa no Senado e garantindo 6 governos estaduais. No entanto, especialistas em Direito Constitucional destacam um ponto crucial: imunidade parlamentar e força de bancada não blindam investigados contra ordens cautelares do STF em inquéritos criminais.
Os motivos que teriam levado à decisão de deixar o país, segundo fontes próximas ao senador e apurações da imprensa, são:
- Temor de prisão iminente: Com o fim do pleito e a consequente redução da tensão política, a expectativa era de que a Polícia Federal cumprisse imediatamente a ordem do ministro Alexandre de Moraes.
- Descumprimento da ordem judicial: Flávio Bolsonaro foi intimado a entregar seus passaportes em 24 horas. Ao não o fazer, ele se tornou alvo de busca e apreensão, tornando a permanência no país um risco jurídico direto.
- Estratégia de defesa no exterior: Fontes indicam que a viagem tem o objetivo de articular uma defesa política e jurídica a partir dos Estados Unidos, país que, segundo a imprensa internacional, permitiu a entrada dele e de sua família.
PRÓXIMOS PASSOS DA INVESTIGAÇÃO
A Polícia Federal já cancelou os passaportes do senador e deve solicitar, via Interpol, cooperação internacional para localizar formalmente o parlamentar e entender a logística da saída do país. O STF também deve ser comunicado oficialmente sobre o descumprimento da medida cautelar, o que pode resultar no agravamento das restrições e no envio do caso à Procuradoria-Geral da República (PGR).
