O Palmeiras venceu o Vasco por 1 a 0 no Nubank Parque, com gol de Maurício, e mereceu. No primeiro tempo teve cerca de 65% de posse e finalizou mais. Criou as melhores chances, com Giay chutando por cima sem marcação e Paulo Henrique salvando em cima da linha o cabeceio de Arias. Reconhecer a superioridade do Palmeiras é o ponto de partida honesto desta análise.
Mas uma semifinal não se resume ao que acontece com a bola nos pés. Aos 4 minutos do segundo tempo, com o jogo em 1 a 0, Lescano foi lançado na área e a bola bateu no braço de Barboza. Anderson Daronco mandou seguir e o VAR não chamou. Para PC Oliveira, consultor de arbitragem da Globo, o braço estava aberto e era pênalti. Um empate ali mudaria o rumo da semifinal.
O Vasco também fez a sua parte para complicar. Cuiabano desperdiçou um cara a cara, e Saldivia foi expulso por falta legítima, segundo amarelo, após erro próprio. Mas isso não apaga o que aconteceu no lance do braço.
O ponto é outro: quando um lance decisivo depende de interpretação (“braço aberto” ou “braço colado”), e nem o árbitro de campo nem o VAR o corrigem, quem perde é a credibilidade da competição. Por isso, vale discutir seriamente a ideia de escalar árbitros do exterior para semifinais e finais. A promessa é distância de pressões locais e de relações internas, além de um critério menos contaminado por disputas domésticas. Não resolve tudo, já que o VAR também precisaria seguir o mesmo padrão, mas é uma mudança que a CBF deveria testar.
O Vasco ainda tem a volta, em São Januário, no dia 8. Mas decisões como essa não deveriam pesar em jogos que valem uma temporada.
Contraponto: defensores do árbitro nacional dizem que o problema é critério e treinamento, e que um estrangeiro não conhece a cultura do jogo daqui. Além disso, o argumento do “braço colado” é a base da defesa de Daronco.
