Dados divulgados pela Secretaria de Segurança Pública de São Paulo revelaram um aumento alarmante no número de pessoas mortas por policiais militares em serviço no estado durante o primeiro trimestre de 2024. De acordo com o boletim divulgado nesta segunda-feira (29), foram registrados 179 casos nos primeiros três meses deste ano, em comparação com os 75 casos registrados no mesmo período do ano anterior, representando um crescimento assustador de 138%.

Questionada sobre as razões por trás desse aumento, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) emitiu uma nota afirmando que continua investindo na capacitação dos policiais, na aquisição de equipamentos de menor potencial ofensivo e na implementação de políticas públicas voltadas para a redução da letalidade policial. Segundo a nota, os programas de formação para o efetivo são regularmente atualizados, e comissões especializadas são encarregadas de analisar e aprimorar os procedimentos, bem como revisar os treinamentos e a estrutura das investigações.

A SSP enfatizou que as forças de segurança do estado operam estritamente dentro de seu dever constitucional, seguindo protocolos operacionais rigorosos. Segundo a secretaria, as Mortes Decorrentes de Intervenção Policial (MDIP) são resultados da reação de criminosos contra a ação policial, destacando que a decisão pelo confronto sempre parte do suspeito, colocando em risco tanto a vida dos policiais quanto a da população em geral.

A secretaria assegurou que todas as ocorrências são minuciosamente investigadas pelas polícias Civil e Militar, com acompanhamento do Ministério Público e do Poder Judiciário, além de garantir que as Corregedorias estão à disposição para apurar qualquer denúncia contra seus agentes.

Operações Policiais na Baixada Santista

O município de Guarujá, na Baixada Santista, foi um dos alvos das Operações Escudo e Verão realizadas pela Polícia Militar no último ano e no início deste ano. Essas grandes operações foram deflagradas pelo governo do estado com o objetivo de combater o crime organizado, após policiais militares serem mortos na região.

A Operação Escudo resultou na morte de 28 pessoas em um período de 40 dias na Baixada Santista. Esta operação foi desencadeada após a morte do policial militar Patrick Bastos Reis, que foi baleado e morto em Guarujá em julho de 2023. Uma segunda fase da Operação Escudo ocorreu em São Vicente, em setembro do mesmo ano, resultando em mais oito mortes, segundo informações do Instituto Sou da Paz.

Já neste ano, quando as operações passaram a ser denominadas de Operação Verão, 56 pessoas foram mortas por policiais militares na região, de acordo com informações da SSP. Estas mortes ocorreram em supostos confrontos com a polícia desde o início de fevereiro, quando o policial militar Samuel Wesley Cosmo foi morto em Santos durante patrulhamento. Na ocasião, a SSP informou que as polícias Civil e Militar se mobilizaram para localizar e prender os envolvidos no crime contra Cosmo.

Resultados e Reflexões

Um levantamento realizado pelo Instituto Sou da Paz, com base na análise dos dados da SSP, revelou que as operações realizadas pela Polícia Militar na Baixada Santista no ano passado não resultaram em avanços na redução da criminalidade violenta. Pelo contrário, essas operações colocaram a vida de policiais em risco e violaram os direitos das populações periféricas.

Os indicadores criminais na região durante os meses de agosto e setembro de 2023 demonstraram que as operações foram marcadas pela baixa eficiência, alta letalidade policial e aumento de infrações ligadas ao crime organizado, como roubo de cargas. Além disso, a incapacidade do policiamento nas ruas para evitar crimes como furtos, roubos e agressões também foi evidenciada.

Diante desses dados e análises, surgem questões sobre a eficácia e a proporção das ações policiais, levantando a necessidade de um debate amplo e transparente sobre as estratégias de segurança pública adotadas no estado de São Paulo.

Fonte: Agência Brasil

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