• 23 de outubro de 2026 22:07

Desenrola 3.0: até R$ 90 BILHÕES em dívidas de brasileiros e MEIs podem ser compradas pelo governo

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Edital publicado no Diário Oficial inicia a habilitação de credores; leilão de carteiras deve ocorrer em novembro.

O governo federal deu o primeiro passo prático do Desenrola 3.0. Uma portaria com o edital de chamamento foi publicada em edição extraordinária do Diário Oficial da União, abrindo prazo de cinco dias úteis para que bancos, instituições financeiras e fundos de investimento em direitos creditórios (FIDCs) indiquem quais dívidas pretendem vender à União.

O que acontece agora

Esta fase não é aberta ao consumidor. Ela serve para o governo medir o interesse dos credores e levantar o tamanho das carteiras disponíveis, separadas por faixa de renda dos devedores. Quem tem dívida não precisa procurar o banco neste momento.

Na quarta-feira (21), o ministro da Fazenda, Dario Durigan, estimou que o edital pode reunir cerca de R$ 90 bilhões em dívidas antigas.

Etapas do processo

  1. Chamamento: publicação do edital para os credores manifestarem interesse;
  2. Apresentação das carteiras: cinco dias úteis para informar os débitos elegíveis;
  3. Definição do leilão: o governo analisa o volume recebido e o divide por faixas de renda;
  4. Compra das dívidas: leilão previsto para novembro, podendo ser adiado para o início de dezembro.

Prioridade para baixa renda e MEIs

Segundo Durigan, a disputa será organizada para beneficiar principalmente devedores de menor renda e microempreendedores individuais (MEIs). Se a oferta de dívidas de baixa renda ficar abaixo do esperado, o governo poderá comprar uma quantidade maior de débitos de renda mais alta.

Quanto vai custar

O programa exige desconto mínimo de 90% sobre o valor das dívidas. Isso significa que a União pagaria, no máximo, 10% do valor nominal. Se todos os R$ 90 bilhões estimados fossem comprados, o gasto chegaria a R$ 9 bilhões.

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Isso, porém, não deve acontecer. O governo pretende fixar um orçamento para o leilão e estimular a concorrência entre os vendedores, o que pode gerar descontos maiores. Dependendo das carteiras recebidas, a União poderá exigir deságio entre 93% e 95%.

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Na criação do programa, a estimativa era de até R$ 150 bilhões em dívidas elegíveis, com desembolso de cerca de R$ 15 bilhões. Os R$ 90 bilhões atuais se referem apenas ao que os credores devem apresentar nesta primeira chamada.

Quais dívidas podem entrar

O Desenrola 3.0 foi criado por medida provisória assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em setembro. Podem ser incluídas:

  • dívidas de até R$ 10 mil, considerando o valor original;
  • débitos em atraso entre 720 e 1.645 dias (de cerca de dois anos a quatro anos e meio);
  • cartão de crédito (rotativo e parcelado) e crédito pessoal sem desconto em folha;
  • dívidas de pessoas físicas e de MEIs, conforme as regras do programa.

Como será a renegociação

Depois do leilão, as dívidas compradas pela União poderão ser renegociadas com os devedores, e o desconto obtido na compra será repassado a eles. O pagamento poderá ser à vista ou parcelado, com juros no caso do parcelamento.

Prazos, taxas e demais condições ainda dependem de regulamentação do Conselho Monetário Nacional (CMN). O governo também deve divulgar as regras e os canais para os consumidores acessarem as renegociações.

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