• 24 de outubro de 2026 22:35

Eleições empatadas: quais fatores podem definir o vencedor?

out 24, 2026
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O Brasil vai às urnas neste domingo (25) para escolher entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). As últimas pesquisas indicam uma disputa em que a diferença entre os dois cabe dentro da margem de erro. Datafolha e Quaest, divulgadas neste sábado (24), mostram Flávio com 51% dos votos válidos e Lula com 49%.

Esses números não são uma previsão de vencedor. Mostram uma eleição em que poucos pontos percentuais, e alguns milhões de votos, podem definir o resultado. Veja onde estão esses votos.

O ponto de partida: um primeiro turno apertado

Flávio terminou o primeiro turno à frente, com 47,03% dos votos válidos contra 45,16% de Lula. A diferença foi de 2.224.965 votos, ou 1,87 ponto percentual. Os demais candidatos somaram 7,81% dos válidos, cerca de 9,3 milhões de votos. Esse grupo é o maior “estoque” de votos em disputa no segundo turno.

Para comparação, em 2022 Lula venceu Jair Bolsonaro no segundo turno por cerca de 2,1 milhões de votos, diferença de 1,8 ponto percentual. A margem deste ano é parecida.

O que dizem as pesquisas da véspera

As pesquisas apontam um quadro de equilíbrio, com leve vantagem numérica de Flávio nos votos válidos:

  • Datafolha e Quaest: 51% a 49% para Flávio, com entrevistas feitas nos dias 23 e 24 de outubro. A Quaest ouviu 3.702 eleitores e o Datafolha, 1.620. A margem de erro é de 2 pontos percentuais.
  • Votos totais: na Quaest, Flávio tem 46% e Lula, 45%. Outros 8% dizem que vão votar em branco, anular ou não comparecer, e 1% ainda não sabe em quem votar.
  • Tendência: na rodada anterior do Datafolha, divulgada em 22 de outubro, os dois apareciam com 50% dos válidos cada.
  • Panorama geral: as sete pesquisas divulgadas na véspera colocam Flávio numericamente à frente nos votos válidos.

Com margem de erro de dois pontos para mais ou para menos, a diferença de 51% a 49% não permite cravar um vencedor. Na prática, é empate técnico.

A conta que decide: qual percentual define o pleito?

Vence quem tiver mais de 50% dos votos válidos, ou seja, os votos dados a candidatos, sem brancos e nulos. Num cenário de 51% a 49%, um deslocamento líquido de pouco mais de um ponto percentual para o outro lado já produz empate e, acima disso, inverte o resultado.

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Com base no primeiro turno, um ponto percentual dos votos válidos equivale a cerca de 1,2 milhão de votos. Em números absolutos, portanto, o resultado pode ser decidido por pouco mais de um milhão de votos, algo em torno de 1% do total de votos válidos, numa eleição com mais de 100 milhões de votantes.

Fator 1: os 9,3 milhões de votos dos eliminados

Quem recebeu os votos dos candidatos que ficaram de fora é a primeira grande incógnita. Num cálculo ilustrativo, que supõe que todos os eleitores do primeiro turno voltem a votar, Lula precisaria de cerca de 62% desses 9,3 milhões para igualar Flávio, que teria de ficar com os 38% restantes. É uma simplificação, porque parte desse eleitorado pode se abster, anular ou votar em branco. Mas mostra por que a migração desses votos é tão relevante.

Fator 2: abstenção e quem vai às urnas

No primeiro turno, a abstenção foi de 21,08%, mais de 33 milhões de eleitores. Cada ponto percentual de abstenção representa cerca de 1,5 milhão de eleitores. Se a abstenção cair ou subir de forma desigual entre os dois lados, o efeito pode ser maior que a diferença entre os candidatos.

Não há garantia de que a abstenção varie muito. Em 2022, ela caiu de 20,95% para 20,59% entre os dois turnos. Um dado das pesquisas mostra por que a mobilização importa: no segmento de baixa ou média propensão a votar, que inclui quem faltou no primeiro turno e quem vota longe de casa, Lula tem 52% e Flávio, 48%. Esse grupo corresponde a 24% do eleitorado. Se esses eleitores comparecerem mais do que o esperado, o quadro pode se alterar.

Fator 3: a geografia do voto

Flávio venceu o primeiro turno em 15 estados e Lula em 12. O maior colégio eleitoral mostra como o mapa é fragmentado. Em São Paulo, Flávio venceu no conjunto do estado, com 51,93% dos votos válidos contra 38,20% de Lula, mas na capital o resultado se inverteu: Lula teve 46,58% e Flávio, 42,13%.

Isso indica que a eleição pode ser decidida tanto pela margem em cada estado quanto pelo desempenho dentro das grandes cidades e regiões metropolitanas. Em alguns estados também há segundo turno para governador no mesmo dia, o que pode influenciar o comparecimento local.

Fator 4: voto consolidado, brancos, nulos e indecisos

Há pouco espaço para mudança de opinião. A Quaest mostra que 92% dos eleitores dizem que a escolha do voto já é definitiva. Com o eleitor majoritariamente decidido, o resultado depende menos de convencer indecisos e mais de quantos eleitores de cada lado vão efetivamente votar e quantos escolherão branco ou nulo.

O que as pesquisas não dizem

Pesquisa é retrato do momento da entrevista, não previsão. A margem de erro vale para cada candidato, e uma diferença de dois pontos entre eles não é estatisticamente distinta de zero. Os institutos também trabalham com metodologias diferentes para estimar quem vai votar: a Quaest, por exemplo, usa o modelo de “eleitor provável”, que pondera a chance de comparecimento. Em 2026, as pesquisas do primeiro turno também não anteciparam o resultado: o Datafolha da véspera mostrava Lula à frente, mas a urna colocou Flávio em primeiro.

O que observar no domingo

Para quem acompanha a apuração, os sinais mais úteis tendem a ser o nível de comparecimento nas grandes capitais e no Nordeste, o desempenho nos estados mais populosos e a evolução da contagem, que costuma mudar de perfil conforme os votos de cada região entram no sistema.

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