• 6 de novembro de 2026 20:59

Dívida Pública trava em 82,9% do PIB e déficit primário fecha em R$ 5,5 bilhões

nov 6, 2026
Libertti

As contas do setor público consolidado — que engloba União, estados, municípios e empresas estatais — encerraram o mês de setembro com um déficit primário de R$ 5,5 bilhões. Os dados, provenientes do relatório de Estatísticas Fiscais do Banco Central (BC), revelam que, embora haja uma melhoria na comparação anual, o endividamento do país permanece em níveis elevados, atingindo a marca de 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB). Isso corresponde a um montante de R$ 11,1 trilhões, o patamar mais alto registrado desde 2021, quando a economia ainda lidava com os reflexos diretos da pandemia.

Na análise mensal, a dívida bruta manteve estabilidade frente a agosto, mas acumula uma alta de 4,3 pontos percentuais ao longo de 2026. O resultado primário de setembro, que desconsidera o pagamento de juros, mostrou uma melhora significativa em relação ao mesmo mês do ano anterior, quando o rombo foi de R$ 17,5 bilhões. No entanto, o desempenho foi heterogêneo entre os entes federativos: enquanto o Governo Central conseguiu registrar um superávit de R$ 3,5 bilhões, estados e municípios operaram no vermelho, com déficit conjunto de R$ 5,6 bilhões, assim como as estatais, que apresentaram resultado negativo de R$ 3,4 bilhões.

No acumulado do ano (janeiro a setembro de 2026), o déficit primário soma R$ 94,3 bilhões (0,93% do PIB), superando o rombo de R$ 79,2 bilhões verificado na mesma etapa de 2025. Vale notar que houve uma divergência técnica nos números divulgados: o Tesouro Nacional apontou superávit de R$ 4,8 bilhões para o Governo Central, pois utiliza a metodologia de execução orçamentária (caixa), enquanto o BC considera a variação da dívida de cada ente.

O cenário fiscal é agravado pelo custo da dívida. As despesas com juros nominais dispararam para R$ 107,5 bilhões apenas em setembro, impulsionadas pela inflação (IPCA), pelo crescimento do estoque da dívida e por resultados negativos em operações de swap cambial. Com isso, o déficit nominal — que inclui os juros — fechou o mês em R$ 113 bilhões. Em 12 meses, os gastos com juros atingiram a marca expressiva de R$ 1,205 trilhão (8,99% do PIB).

O cenário fiscal brasileiro aponta para um desafio dual: a necessidade de estabilizar a dívida bruta, que flerta com os recordes da pandemia, e o combate ao custo elevado do serviço da dívida. A trajetória dos juros, que consomem uma fatia cada vez maior do PIB (quase 9% no acumulado de 12 meses), reduz a margem de manobra do governo para investimentos e políticas públicas.

Embora o déficit primário em 12 meses tenha apresentado uma leve melhora, recuando para 0,52% do PIB, a Dívida Líquida também avançou, chegando a 70% do PIB. A estabilidade da dívida bruta em setembro foi um alívio pontual, mas a pressão dos juros nominais e a necessidade de financiamento do governo permanecem como os principais pontos de atenção para a sustentabilidade econômica do país nos próximos meses.

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