• 3 de novembro de 2026 20:32

A estabilidade dos BRICS e seus desafios

jan 1, 2024
bac5b5e4 2656 4eab ad52 f4fe2ec04554 1Foto: NDB/Reprodução

Os BRICS, bloco composto por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, expandiram seus horizontes ao incorporar cinco novos membros: Arábia Saudita, Egito, Etiópia, Emirados Árabes e Irã. No entanto, esse crescimento não ocorreu sem contratempos, sendo notável a saída da Argentina em menos de 2 semanas.

A estabilidade do bloco é frequentemente questionada, especialmente considerando as diversidades ideológicas e políticas dos países envolvidos. O Brasil, por exemplo, sob o governo Bolsonaro, enfrentou momentos hostis, notadamente em relação à China, onde o presidente brasileiro chegou a rotular o país como uma ditadura. Além disso, em um curto intervalo, a Argentina, com o presidente Javier Milei, rompeu sua parceria com os BRICS, destacando a volatilidade nas alianças políticas.

Essa instabilidade é inerente à natureza heterogênea do bloco, cujas visões e ideologias variam significativamente. Cada eleição representa uma dança das cadeiras e um desequilibro no jogo político, como evidenciado com o Brasil e a Argentina atual. As mudanças de liderança e orientação política podem impactar diretamente a coesão do grupo, exigindo abordagens mais estáveis para garantir sua sustentabilidade a longo prazo.

Embora a aliança econômica seja um pilar essencial para os BRICS, é necessário ir além. O bloco precisa adotar métodos que transcendam as divergências políticas, assegurando estabilidade mesmo diante de mudanças de poder. Modelos semelhantes aos da União Europeia ou do Mercosul, onde a estabilidade do bloco é favorecida, poderiam servir como referência.

No âmbito dos países como China, Rússia, Arábia Saudita, Emirados Árabes e Irã, nos quais a estabilidade política é robusta e, por vezes, algumas lideranças a conduzem com mãos de ferro, as transições de poder se estendem, proporcionando uma sensação de estabilidade ao bloco. O Ocidente, contudo, frequentemente critica essas nações, rotulando-as como regimes ditatoriais ou, por vezes, antidemocráticos. Nessa perspectiva, destaca-se o Brasil, uma democracia que enfrentou notáveis turbulências políticas, especialmente no governo anterior, marcado por uma postura contrária ao bloco.

Diante desse cenário, é crucial que o bloco desenvolva mecanismos para enfrentar as variáveis em constante mudança. Um sistema de inteligência que integre e compartilhe informações entre os países membros poderia ser instrumental na prevenção de instabilidades e até mesmo de guerras híbridas promovidas por nações contrárias ao bloco.

Embora uma união militar, nos moldes da OTAN, pudesse fortalecer a segurança, enfrentaria desafios significativos, especialmente para países como Brasil e África do Sul. O risco de um tsunami de críticas, e de uma guerra de informações seria iminente e contrária aos interesses do Ocidente.

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No contexto da substituição do dólar pela adoção de moedas próprias, surge um passo crucial na guerra econômica. No entanto, como mencionado anteriormente, essa medida isolada não é suficiente. Ao considerar a União Europeia ou o Mercosul, observa-se uma homogeneidade cultural entre os povos, bem como a proximidade geográfica, fatores que conferem certa estabilidade a esses blocos. Já no caso dos BRICS, a situação se torna mais desafiadora, uma vez que envolve um bloco heterogêneo com culturas diversas e fronteiras mais distantes.

A concepção por trás da formação do bloco é louvável, uma vez que reconhece a importância das parcerias econômicas. Entretanto, os desafios são expressivos. Para concretizar os objetivos de substituir o dólar, estabelecer bancos concorrentes ao FMI e competir com a União Europeia, como delineados pelo grupo, os BRICS necessitam superar não apenas obstáculos econômicos, mas também enfrentar questões políticas e culturais complexas. O caminho à frente demanda abordagens inovadoras e uma verdadeira coesão entre essas nações emergentes.

AUTOR: Silvano Saldanha – JN Libertti

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